- Você devia dormir um pouco - Ian
- Ela pode entrar a qualquer momento... quero estar preparada - disse enquanto Noah dormia no meu colo e Rosa cochilava sentada encostada na parede
- Estou com a sensação de que vamos ficar de castigo por essa noite
- Minha preocupação agora é com o Nathan... ele odeia o bico da mamadeira e já passou da hora de mamar, e para ajudar meu seio também está pedrado - reclamei com desconforto
- Incrível como você sempre está pensando em alguém
- Ser mãe é isso né?
- Sabe que não me referi somente a ser mãe, a algum tempo estava preocupada comigo. Mesmo eu não merecendo
- Quem disse que você não merece Ian? O fato de estar confuso não muda o cuidado que sempre tive contigo
- Já ouviu a frase pessoas confusas machucam pessoas incríveis e pessoas incríveis se tornam confusas? Acho que nunca senti isso tão real como agora
- Vamos precisar de um tempo para entender e tratar esse sentimento que você tem, mas não vou deixar ninguém te fazer mal. Estou assustada e magoada com o fato de ter se declarado, mas ficaria pior em não te-lo por perto
- Mesmo?
- Um porto seguro rachado é melhor do que porto nenhum né?
- Talvez - ele riu tirando pela primeira vez aquele semblante triste - quando sairmos daqui prometo me remendar
- Por favor né... te tolero desde sempre sendo insuportável agora depressivo é outra história - ele riu de novo e eu me senti bem - escuta - ele me fitou - não acredite em nada do que a Megan disse. Você não é o resto - seus olhos marejaram - você é o pai desse princípe aqui que nos deu sentido na vida e é o grande heroí dele. Não permita se sentir menos do que especial e eu sempre vou estar com você - o encarei - só não esqueça que o Zac é meu homem e é por ele que eu perco os sentidos
- Não vou esquecer e obrigado por isso viu? Por se importar - sorri apertando sua mão
- Você é incrível e logo vai achar seu rumo com alguém que de fato possa te corresponder
- Preciso ter pressa?
- Não, você precisa se dar uma chance - ele sentou do meu lado
- Gostei disso. Uma chance - vi seu brilho no olhar voltar e me tranquilizei. O Ian estava perdido e não era de fato por amor, e sim pela ausência de quem o desse. Ele sabia que eu não era essa pessoa, mas alguém que colecionou decepções precisava se ancorar em algo, certo? Ele entenderia que cada um tem seu tempo e aventuras e eu só confiava de que ele saberia encontrar as suas - obrigado baby v
- De nada estorvo - sorri mínimamente com seu espanto e ele se levantou - o que vai fazer?
- Supreende-la quando entrar
- Ian isso pode ser perigoso
- Ela não tem mais força do que eu
- Verdade só tem uma arma e nosso filho no mesmo quarto
- Desculpa
- Se acalma, fazer algo perigoso sem sabermos o que cada pessoa aqui pode fazer é complicado. Não da para ter certeza da nossa reação. A minha, da Rosa, Noah e inclusive você. Se algo não sair como planejado alguém se machuca na certa - a porta abriu de forma brusca
- Nisso eu concordo com você - apontou a arma pra mim - levanta todo mundo - Noah acordou chorando - melhor calar a boca desse piralho por que eu estou sem paciência - notei sinais de estress excessivos nela e dei um jeito de acalmar o Noah enquanto levantava
- Vai nos levar pra onde? - Rosa
- Você vai ficar com essa criança e eu vou dar uma voltinha com os pais dele - engoli em seco tremendo ao entregar meu filho novamente pra Rosa
- Vamos ficar bem querida - ela sussurou pegando ele que chorava querendo voltar ao meu colo
- Anda, inferno - deixei ele dando um beijo em sua bochecha, ela nos algemou e fomos para um carro onde ela prendeu Ian na porta e me fez ir no banco de trás. Estando escuro e no meio de uma estrada desconhecida tentei me concentrar em algum ponto que indicasse onde estávamos até ouvir - desce do carro
- Como?
- Além de vagubunda virou surda? Eu mandei descer - tirou da lateral do carro uma faca e foi precisa no meu braço - olha só, a bonequinha sangra - pressionei os olhos com dor e vi Ian tentando se mexer sendo machucado na perna - Foi a última vez que você me atrapalhou Vanessa. DESÇA - meio tonta desci e vi o carro se distânciar. Não entendi se a inteção era me deixar no meio do nada machucada só senti um frio na espinha subir ao pensar que algum animal silvetre podia estar a espreita e me atacar sendo atiçado pelo cheiro do ferimento. Fiquei parada tentando me dar senso até ver aqueles faróis ficando grandes
- PULA VANESSA - era a voz do Ian desesperada, forçando a vista vi uma briga interna pelo reflexo do vidro e sim eu pulei pra desviar do veículo que vinha com tudo. Era um barranco muito íngrime e ao rolar pra baixo muitas pedras e galhos me machucaram. Cheguei ao solo plano sem saber que lugar do meu corpo doia mais e só consegui levantar quando ouvi o carro descendo ladeira abaixo. Me apavorei vendo o mesmo capotar e destruir o terreno por onde passava. Estava com aquelas malditas algemas e com movimentos limitados com as pernas machucadas, mas só pensei em me aproximar e tirar o Ian lá de dentro
Indo o mais rápido que conseguia percorri uma distância até longa sendo guiada pelo farol que indicava onde estavam, assim como os gemidos de dor
- IAN - estava perto e queria ouvi-lo, meu coração estava tão acelerado que se ele não respondesse o colapso seria eminente
- Aqui - consegui chegar me agachando em frente ao carro capotado. Ele estava muito machucado e me preoupei com que poderia fazer - não consigo me mexer
- Fica falando comigo. Tenho que dar um jeito de arrancar essa porta - tentei chutar com os pés e gritei de dor e raiva ao não conseguir se quer move-la - onde ela está? - abaixada tentava ver a Megan
- Não sei, V você tem que procurar ajuda, estamos algemados e não vamos conseguir muito - notei uma perfuração no seu abdomên e fiquei tensa vendo seu empalidecer
- Não tenho tempo Ian, você precisa me ajudar
- Sobe o barranco e tenta ajuda na estrada
- Não consigo - comecei a chorar desesperada vendo o sangue e minha inutilidade
- Tá tudo bem baby V - ele estava ficando sonolento
- A gente tem que ser daqui. O Noah está esperando a gente
- Acho que não consigo V - falou fraco e eu peguei toda força em conjunto com a fé para dar um chute que soltasse a porta travada. Depois de algumas tentátivas consegui e ouvi seus murmúros de dor- vem eu te ajudo a carregar a porta - tirar a porta foi só a parte facíl, com ele algemado e ferido não podia pedir para que tentasse se soltar - o banco esta prendendo minhas pernas
- Deixe-me ver - me coloquei parcialmente dentro do carro tentando achar a alavaca e puxar o banco para trás. O cheiro da gasolina começava a ser sentido e sua consciência denunciava que não tinha muito tempo. Braços extendidos e presos na esperança de conseguir - achei
- Puxa - de novo a voz fraca - vou puxar o ar para te dar espaço
- Certo, respira - senti tocar a alavanca, mas fui puxada com tudo para fora sem tempo de me defender das agressões de Megan que não sei de onde apareceu
- Por que você não morre? - sua fúria estava insana e eu pouco podia fazer. Virei meu corpo e a ouvi gritar. Com a visão turva notei que estava muito machucada e seu rosto em carne viva. Forcei meu corpo contra sua pele machucada e consegui me soltar quando uma chama se formou perto do carro
- Megan precisamos tirar o Ian de dentro
- Você não vai vencer
- O Ian está lá dentro, precisamos ajuda-lo - tentava chamar sua razão
- Ele é meu
- Ele vai morrer se não o tirarmos de lá - chorei na sua frente - me solte para que possa ajuda-lo
- Se ele não me quer e estava disposto a se dar uma chance é um fim merecido
- Megan - vi ela se abaixando e corri para tentar puxar a alavanca antes que o carro todo fosse tomado pelo fogo - ouvi um disparo e vi que ela estava desnorteada para me acertar. Me concentrei em puxar o banco e consegui vendo Ian quase desmaiado - Ian mais um pouquinho
- Não vou conseguir V - o puxei com muita dificuldade
- Vai sim, nós vamos. Pelo Noah - o fitei - só mais um pouco - sorri em meio ao caos
- Meu filho? - ele voltou a raciocinar
- Precisamos voltar pra ele - ele concordou e puxou as algemas se soltando da porta. Entre chamas e Megan recarregando o apoiei para andar, sem poder esquivar senti um tiro raspão na perna nos fazendo cair - IAN - gritei quando ele se projetou na minha frente e foi ferido

